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13/07/2017

ARTIGO: Escolha de cultivares de soja

            O ano agrícola 2016/17 ainda não terminou e o sojicultor sul-mato-grossense já está de olho na próxima safra. O período foi marcado por boa distribuição das chuvas nas principais regiões produtoras do Mato Grosso do Sul, o que levou o estado a bater o recorde de produção de soja, atingindo a marca de 8,5 milhões de toneladas. Segundo o levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a produtividade média no estado foi 14% superior à safra anterior.  Apesar da queda nos preços, em decorrência da maior oferta do grão no mercado, os produtores estão animados e inclusive já iniciaram o planejamento da próxima safra.

            A escolha das cultivares a serem plantadas é um passo importante para manter o alto rendimento das lavouras. Consciente dessa necessidade, a Fundação MS avaliou, na última safra, 108 cultivares de soja nas mais diferentes condições de cultivo do estado, que gerou informações importantes para que o agricultor e técnicos do setor tomem suas decisões fundamentadas em resultados consistentes.

            Diferentemente do que se imagina, a escolha das cultivares não é tarefa fácil, pois não basta apenas que o produtor selecione aquelas que foram mais produtivas na safra anterior. O comportamento de cada cultivar pode variar de um ano agrícola para outro, principalmente em função da regularização das chuvas que define o início do plantio das lavouras. Quando não há restrição hídrica, o produtor do Mato Grosso do Sul está acostumado a plantar o mais cedo possível para viabilizar a safrinha ou segunda safra. Nessas condições, onde o fotoperíodo (dias curtos) ainda é limitante, as cultivares mais adequadas são aquelas de ciclo mais tardios, que, por suas características genéticas, tendem a atingir altura de planta satisfatória. Além disso, deve-se considerar o tipo e a fertilidade do solo. Nos talhões de textura mais argilosa e boa fertilidade devem ser posicionadas as cultivares de porte mais baixo. Já as cultivares de porte mais alto devem ser semeadas nas áreas de abertura e/ou marginais: solos arenosos, desuniformes e de baixa fertilidade.

            O zoneamento agrícola para a cultura da soja no estado define como período de semeadura os meses de outubro a dezembro. Todavia, os resultados obtidos pela Fundação MS ao longo dos seus 25 anos de pesquisa demonstram que lavouras semeadas em dezembro tem seu potencial produtivo substancialmente comprometido. Dessa forma, os meses de outubro e novembro compreendem o período ideal de semeadura, em que o risco de déficit hídrico é minimizado e as condições fotoperiódicas (dias longos) são otimizadas. Dentro da janela considerada ótima (outubro até início de novembro) para semeadura deve-se dar preferência às cultivares mais exigentes em fertilidade e àquelas mais responsivas a melhoria ambiental.

            Outros fatores que devem ser considerados na escolha das cultivares são: tolerância/resistência à seca; sistema radicular agressivo; resistência às principais doenças e insetos desfolhadores; resistência a nematoides; tolerância/resistência a determinados herbicidas para facilitar o manejo de plantas daninhas resistentes como a buva e o capim amargoso; tolerância ao alumínio; maior período reprodutivo, pois permite que a planta se recupere caso ocorra déficit hídrico no início da fase reprodutiva; resistência à deiscência de vagens; e qualidade pós-colheita de grãos.

            Apostar todas as fichas em uma ou poucas cultivares é muito arriscado para o agricultor, pois qualquer condição adversa, seja climática ou fitossanitária, pode comprometer o ano agrícola. O ideal que o produtor trabalhe com um grupo maior de cultivares e com características divergentes, para que na ocorrência de adversidades a probabilidade de perdas sejam reduzidas.

André Ricardo Gomes Bezerra

Eng. Agrº e M.Sc. em Melhoramento de Plantas, Recursos Genéticos e Biotecnologia

Pesquisador da Fundação MS  

 

 

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