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25/07/2017

ARTIGO- BUVA E CAPIM-AMARGOSO: A HORA É ESSA!

 

        Colheitas do milho em pleno vapor em Mato Grosso do Sul. Momento importante para planejar as atividades da próxima safra de soja. A tão conhecida lição de casa do manejo de plantas daninhas se inicia: entregar para a semeadora de soja uma área limpa de ervas e dessecada adequadamente.

        O manejo outonal de plantas daninhas, após a colheita do milho e antes da semeadura de soja, é fundamental para o sistema de produção do Estado. Nesta fase, em geral as plantas daninhas encontram-se em tamanho menor, o que facilita o seu controle com herbicidas. Além disso, há possibilidade de utilização de ingredientes ativos com certo residual, como o metsulfuron para o controle da buva que está presente na área (controle não tão efetivo, mas fundamental para evitar seu desenvolvimento excessivo), mas sem impactos significativos no estabelecimento das plantas de soja.

        Geralmente, os holofotes neste momento são voltados para plantas de difícil controle, como a buva e o capim-amargoso. Muitas dúvidas acerca dos herbicidas mais indicados são corriqueiras, mas é fundamental pensarmos no contexto da aplicação. Nessa época do ano, enfrentamos temperaturas mais baixas e período alongado sem chuvas, fatores estes que impactam diretamente os herbicidas utilizados. Assim, as aplicações realizadas devem ser com bastante critério, pois baixas temperaturas dificultam a ação dos herbicidas sistêmicos, e a baixa umidade relativa do ar compromete a qualidade da aplicação.

Para o manejo de buva, aplicações com glifosato e 2,4-D são corriqueiras e interessantes para seu controle, além de outras opções disponíveis no mercado. Herbicidas inibidores da ACCase, os famosos graminicidas, ganham importância nesta etapa, e deve-se atentar para as misturas de tanque com 2,4-D, uma vez que quando ocorre esta mistura, há antagonismo e a eficiência do graminicida é colocada em risco, podendo haver falhas de controle no talhão pulverizado.

        O consórcio de milho com diferentes capins é uma técnica de cultivo que auxilia muito esse manejo de buva e capim-amargoso. Cada vez mais esta estratégia deve ser utilizada, reduzindo a carga de manejo de plantas daninhas imposta aos herbicidas, e eventualmente diminuindo a pressão de seleção de plantas daninhas resistentes.

Ações de manejo do capim devem ser executadas pelos agricultores a fim de evitar competição do capim utilizado no consórcio com a soja, tais como a antecipação da dessecação caso sejam capins que formam touceiras ou aumento da dosagem de glifosato utilizada se a massa verde estiver muito alta próximo à semeadura.

O sucesso de uma lavoura de soja produtiva começa no começo! Acertar a escolha dos herbicidas em função da população de plantas daninhas, bem como sua dosagem efetiva e o momento ideal de aplicação são essenciais para a redução da mato-competição e dos prejuízos por ela causados.

 

Dr. José Fernando Jurca Grigolli

Pesquisador Fitossanidade Fundação MS

 

 

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